Gravidez/Parto · Relatos pessoais

O Parto – 2

Na primeira noite no Hospital, tinham mais 3 mães com bebês na UTI junto comigo. Eu dormi ao total 1h30, mesmo depois de uns 6 comprimidos para dor, eu não apagava. Estava esperando ansiosa para ir ver meu filho. A UTI neonatal fica em outro prédio. O marido não queria que eu visse o Gui entubado e me enrolou o que pode! Daí dia 27/09 as 17h eu fiquei bem louca mesmo e fui atrás da tal da cadeira de rodas sozinha, quando ele chegou foi obrigado a me levar na UTI.

Chegando na UTI o Lucas, meu marido só me avisou: “não toca nele, não fala com ele porque ele está sedado para não sentir dor. Se tu encostar ou falar, vai estimular e ele vai sofrer. E não chora lá! Ele precisa de amor e força”! Achei que seria mais fácil não chorar. De partir o coração! Na sala do Gui tinham 5 bebezinhos: 3 prematuros bem cotoquinhos esperando alcançar 2 kg, 1 bebê com má formação dos orgãos internos e o Gui que tinha aspirado o mecônio.

Tu chega pela primeira vez na UTI desesperada. Não conhece nada, não sabe nada, não conhece ninguém. Tem que ir embora dali e deixar teu amor maior nas mãos de pessoas que tu nunca viu na tua vida. E que trocam de turno a cada 6 horas. Dai tu vê aqueles guerreirinhos lutando pela vida e só reclamam de fome, perto da hora do mamá, riquinhos! Nenhum bebê deveria passar por isso! Nenhuma mãe deveria passar por isso!

Mas conforme os dias passam, o coração da gente se conforta, a gente vai vendo as rotinas, conhecendo os profissionais, vendo o carinho que eles desempenham as tarefas e a gente vai ficando tranquila que o filho da gente está nas melhores mãos do mundo. E dá medo de trazer pra casa e não saber cuidar como eles. Meu maior medo era até pouco tempo de o Gui achar que eu era uma enfermeira que não ia embora nunca.

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Na noite de terça para quarta, algumas mães tiveram alta e chegaram mais duas mães. Com seus bebês. Saudáveis. Lindos. No colinho delas. Elas trocavam fraldas. Elas davam mamá. Como manda o figurino. Chorei o choro mais amargo da minha vida. Eu nunca tinha sofrido. Nunca tinha sentido dor. Decepção. Tristeza profunda até aquele momento. Eu agradeço a Deus pois meu filho está vivo. Mas eu fui quebrada em mil pedacinhos e nunca mais vou me colar de novo.

Quarta-feira os antibióticos começaram a fazer efeito, ele foi desentubado, porem a saturação dele ainda estava abaixo do normal e colocaram um cateter com oxigênio. Nesse dia eu pude tocar nele e falar com ele. Ele iria começar a se alimentar. Com Nan, por sonda no nariz. Quase morri de tristeza! Meu leite nada de descer. A minha prima e dinda do Gui, Rafaela é enfermeira obstétrica e foi meu porto seguro de informações (ainda é). Ela tem uma amiga muito querida que foi no quarto me ordenhar, eu estava super nervosa e não lembro o nome da moça! Mas ela me mostrou com calma como ordenha manualmente e saiu uma gota. Fiquei esperançosa!

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Data prevista do parto = data que fecham 40 semanas 02/10/2016

O Gui nasceu em 26/09/2016 as 17h47m de 42 semanas, ele passou da hora. Eu não entrei em trabalho de parto. Quando o bebê nasce é feito um cálculo (Capurro) baseado no tamanho das unhas, formato do mamilo, espessura da pele, formato da orelha, entre outros detalhes, que estipulam quantas semanas corretas o bebê tem. A ecografia tem uma margem de erro. Caímos na margem de erro. Nos meus cálculos e nas ecos eu estava de 39 semanas.

Na quinta-feira colocaram a sonda na boca dele, para não atrapalhar a respiração pelo nariz. Neste dia Lucas e eu pegamos nosso filho amado no colo pela primeira vez. Cheio de fio e acesso. Loucos de medo de machucar. Totalmente sem jeito. Mas com tanto amor. Que sensação maravilhosa pegar teu bebezinho no colinho, cheirar, tocar, beijar. Foi também o dia que eu tive alta e a partir daí nossa rotina mudou. Chegamos em casa sem barriga e sem Guilherme pela primeira vez. Indescritível a sensação do quarto vazio. Da casa vazia. Do coração vazio. Lucas e eu nem nos olhamos para não desabarmos. “Deita e dorme que o leite só desce se tu dormir”.

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