Gravidez/Parto

O sangue e o tecido de cordão umbilical para tratar autismo

O sangue e o tecido de cordão umbilical para tratar autismoTexto produzido por Drª Karolyn Sassi Ogliari e Pamela Brambilla Bagatini

O espectro autista, também conhecido como Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), envolve um conjunto de disfunções que ocorrem durante o desenvolvimento neurológico e incluem uma ampla variedade – espectro – de sintomas, habilidades e níveis de incapacidade. O autismo é considerado o TEA mais prevalente, e pode ser caracterizado por alterações comportamentais que incluem dificuldades de comunicação e interação social, e padrão de comportamento repetitivo e restritivo. Pesquisas mostraram que, nos Estados Unidos, aproximadamente 1 a cada 68 crianças é diagnosticada com TEA(1). Por outro lado, ainda não há um tratamento padrão definido para esse transtorno.

De alguns anos para cá, a terapia celular vem se destacando como uma grande promessa para auxiliar no tratamento de disfunções neurológicas. Nesse sentido, estudos em animais e em humanos demonstraram que tanto as células do sangue de cordão umbilical quanto as células-tronco mesenquimais do tecido do cordão umbilical podem trazer benefícios a pacientes diagnosticados com TEA, pois são células capazes de regular respostas imunológicas e estimular o reparo de lesões no sistema nervoso central.

Um estudo publicado em 2013 no periódico internacional Journal of Translational Medicine avaliou o potencial terapêutico dessas células em 36 crianças diagnosticadas com autismo, que foram divididas em três grupos:

– grupo da terapia com sangue de cordão, composto por 14 pacientes, onde cada paciente recebeu células de sangue de cordão não-aparentado (com compatibilidade aceitável) e reabilitação;

– grupo da terapia combinada, composto por 9 pacientes, onde cada paciente recebeu células de sangue de cordão e células mesenquimais do tecido de cordão não-aparentado (com compatibilidade aceitável) e reabilitação;

– grupo controle, composto por 14 pacientes que receberam apenas reabilitação.

Em comparação às crianças do grupo controle, tanto as crianças do grupo da terapia com sangue de cordão quanto as crianças do grupo da terapia combinada demonstraram melhorias em diferentes comportamentos avaliados, incluindo respostas emocionais e intelectuais, adaptação a mudanças, comunicação não-verbal, comportamentos estereotipados, nervosismo e hiperatividade. Além disso, os resultados mostraram que a terapia combinada foi ainda mais eficaz que a terapia com sangue de cordão. Isso mostra uma possível ação sinérgica entre as células do sangue e do tecido do cordão umbilical, que foi capaz de gerar efeitos benéficos adicionais nas crianças autistas(2).

Além dos pesquisadores responsáveis pelo estudo anterior, há outros grupos de pesquisa que buscam avaliar a segurança e os efeitos terapêuticos das células do sangue e do tecido do cordão umbilical em crianças diagnosticadas com TEA. Entre as várias terapias sendo testadas com esse objetivo, destacam-se:

– Estudos coordenados pela Dra. Joanne Kurtzberg e desenvolvidos na Universidade Duke, nos Estados Unidos, para avaliar a segurança e a eficácia do tratamento com sangue de cordão ou com células mesenquimais do tecido de cordão em crianças com TEA(3-5).

– Estudo coordenado pelo Dr. Michael Chez e desenvolvido no Sutter Institute for Medical Research (nos Estados Unidos), que analisa crianças diagnosticadas com autismo que receberam uma infusão com o próprio sangue de cordão(6);

– Estudo coordenado pelos Doutores Nelson Novarro e Jorge Paz-Rodriguez, e desenvolvido no Translational Biosciences / Stem Cell Institute (no Panamá), que analisa a segurança e eficácia de infusões de células mesenquimais de tecido de cordão em crianças diagnosticadas com TEA(7).

 

Referências:

1. Centers for Disease Control and Prevention – CDC.gov. Autism Spectrum Disorder. http://www.cdc.gov/ncbddd/autism/data.html. Acesso em 07 de agosto de 2017.

2. Lv Y-T. e cols (2013). Transplantation of human cord blood mononuclear cells and umbilical cord-derived mesenchymal stem cells in autism. Journal of Translational Medicine. 11: 196.

3. National Institutes of Health – ClinicalTrials.gov. Efficacy of Intravenous Umbilical Cord Blood Infusion as Cell Therapy for Children With Autism Spectrum Disorder (ASD): Duke ACT. https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT02847182?term=Duke+and+kurtzberg&cond=Autism&rank=1. Identificador: NCT02847182. Acesso em 07 de agosto de 2017.

4. National Institutes of Health – ClinicalTrials.gov. Autologous Umbilical Cord Blood Infusion for Children With Autism Spectrum Disorder (ASD). https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT02176317?term=Duke+and+kurtzberg&cond=Autism&rank=2. Identificador: NCT02176317. Acesso em 07 de agosto de 2017.

5. National Institutes of Health – ClinicalTrials.gov. A Phase I Study of hCT-MSC, An Umbilical Cord-Derived Mesenchymal Stromal Cell Product, in Children With Autism Spectrum Disorder. https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT03099239?term=Duke+and+kurtzberg&cond=Autism&rank=3. Identificador: NCT03099239. Acesso em 07 de agosto de 2017.

6. National Institutes of Health – ClinicalTrials.gov. A Randomized, Blinded, Placebo-controlled, Crossover Study to Assess the Efficacy of Stem Cells From Autologous Umbilical Cord Blood to Improve Language and Behavior in Children With Autism. https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT01638819?term=01638819&cond=Autism&rank=1. Identificador: NCT01638819. Acesso em 07 de agosto de 2017.

7. National Institutes of Health – ClinicalTrials.gov. Open, Prospective Trial of Treatment of Autism Spectrum Disorders (ASD) Using Intravenous Infusion of Umbilical Cord Tissue Mesenchymal Stem Cells (UC-MSC). https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT02192749?term=Nelson+Novarro+AND+autism&cond=mesenchymal&rank=1. Identificador: NCT02192749. Acesso em 07 de agosto de 2017.

 

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